Vitoria Maldonado tem a vibração de uma brasilidade tipo exportação, influência da bossa nova e da formação jazzística forjada nos anos que passou em Boston onde se formou na Berklee College of Music, e das parcerias que fez com grandes nomes da música popular brasileira.

Vitoria é pianista, cantora, compositora e arranjadora. Sua música deixa transparente o romantismo típico daqueles que fazem sua arte por amor.

Paulistana de bom faro e gosto apurado, Vitoria acompanhou o crescimento da bossa nova, em que figuras como Tom Jobim, João Gilberto, Vinícius de Morais, Toquinho, Elis Regina, Gal Costa, Chico Buarque, entre tantos outros, proporcionaram um dos momentos mais criativos da música popular brasileira. Na mesma época, ela se tornou aprendiz do grande músico Amilson Godoy. Com o mestre, despertou seu sentido para harmonizar as canções que já compunha, e com Gogo, outro grande músico, que fazia parte do grupo de Dick Farney, aprimorou seus conhecimentos.

A experiência em plena juventude despertou seu interesse pelo jazz, que acabou levando Vitoria a uma aproximação com a música de qualidade apurada, como a de Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald, Frank Sinatra, Oscar Peterson, Chick Corea, Herbie Hancock, Michel Petrucciani, Keith Jarret , Pat Metheny e Lyle Mays.

Vitoria Maldonado incursionou também pelo território erudito. Teve  aulas de composição com Oswaldo Lacerda e de piano com Regina Martins e Marina Brandão. Foi graças a esta última, aliás, que Vitória fez sua primeira apresentação no rádio, no tradicional programa da Eldorado, “Um piano ao cair da tarde”.  Toda essa experiência levou a realização do seu maior sonho, que era estudar música nos Estados Unidos.

No Berklee College of Music, em Boston, estudou harmonia, composição e regência, formando-se em 1986. Ao voltar para o Brasil,  na cidade do Rio de Janeiro, em pouco tempo formou dupla com Marisa Monte, tocando piano e fazendo back vocal nas apresentações no Double Dose, barzinho com a atmosfera ideal para a prática de boa música.

Em São Paulo formou trio com Geraldo Vieira e Duda Neves, este considerado pela revista Down Beat um dos “top ten” entre os melhores bateristas do mundo.

O quinteto para apresentações no Blue Note, ponto de encontro do bom jazz em Sampa, aconteceu em 1990 e quase na sequência Vitoria foi convidada para participar da banda Ponte Aérea, que acompanhava a dupla Sá & Guarabyra, trabalho em que experimentou a emoção de tocar para uma plateia de cinco mil pessoas no Arpoador, na cidade do Rio de Janeiro.

Vitoria fez também trabalhos para o mercado publicitário, tendo conquistado medalha de ouro com uma trilha para um comercial da Samello, no VII Prêmio Produção Brasil, em 1994.

O exercício musical em diversas áreas proporcionou bons resultados, como a aproximação com a gravadora Warner em 1995, a decisão de produzir o primeiro CD e a indicação como revelação do extinto do Prêmio Sharp de Música , um dos mais importantes eventos artísticos da época.

Com seu trabalho acústico, O que está acontecendo comigo, Vitoria tem ao seu lado alguns dos melhores profissionais da música, como Duda Neves (bateria), Sylvinho Mazzuca (baixo acústico), Marcelo Pizzarro (guitarra e violão), Ruriá Duprat (arranjos de cordas), Nailor Proveta (sax e clarinete), Luis Guilherme Rabello (percussão), Teco Cardoso (sax soprano) e a participação especial de Roberto Menescal (violão). Todos eles nomes irretocáveis do nosso cenário artístico.